
Do ponto de vista da evolução do ser humano, são situações propícias para a depuração da sua energia, aprimoramento da sua sintonia com a vida superior, confirmação de suas determinações evolutivas, autoconhecimento e autodomínio. Ocorrem nos níveis da personalidade: o físico-concreto, o emocional e o mental. Podem também apresentar-se em sonhos e em experiências nos planos sutis. As provas são inseridas na própria vida cotidiana, pois a ascese espiritual não exclui o nível humano, mas o transforma, molda e redime segundo a razão maior da existência. Há provas que se apresentam gradualmente até a soberba, a lassidão, a mentira, o uso incorreto da energia e a covardia serem superados. Outras dizem respeito a etapas específicas da ascese, como a de o indivíduo não ter estimulo externo algum para avançar, aprendendo assim a permanecer fiel à meta mesmo sem os interesses naturais do início do trajeto. A consciência vai-se capacitando para manter-se no essencial e para não enveredar por atividades desnecessárias quando chega o momento de cessar os movimentos e aguardar compreensão maior sobre a direção a seguir. As provas são oportunidades de aperfeiçoamento geradas pelo carma individual e coletivo, pela sintonia do ser e pela necessidade que ele tem de evoluir. São fruto da identificação da consciência com os mundos em que habita, somada ao impulso de liberação que provém do interior dela mesma. A confluência desses dois movimentos – identificação e impulso de liberação – produz a conjuntura, fato ou situação de que se compõe a prova.
Forças involutivas são elementos de prova porque estão presentes na própria substância do mundo material. À medida que a consciência se eleva e seus corpos se purificam, as provas mudam, pois serão outros os componentes a se mesclarem ao impulso de liberação. As provas podem sinalizar o acercamento a portais internos e constituem requisito para serem transpostos. A cada mônada está designada uma função interior, para ser reconhecida e assumida, a vibração de toda a vida do homem, nos vários níveis, precisa atingir certa qualidade. As provas são instrumento de depuração.
Uma das provas pelas quais o indivíduo passa no decorrer da ascese é ver suas palavras, conceitos e ações perderem o valor aparente que sempre tiveram. A partir daí ele traz para a vida externa o que de sagrado tem dentro de si ou retrocede à condição em que busca a verdade mas não a vive. Para os que avançam, surge então a prova em que as estruturas formais e a inércia material resistem aceradamente à expressão da energia interna. O que há de mais denso no ser emerge; torna-se campo onde a obscuridade da esfera psíquica coletiva se projeta e realiza obra desagregadora e negativa. Essa obscuridade suga a vitalidade das suas partículas. No plano mental, sugestiona e tenta bloquear a trajetória ascendente. É formada de forças involutivas que conhecem os pontos fracos do indivíduo e usam desse conhecimento para paralisá-lo ou fazê-lo recuar.
Há no universo um impulso que atrai a vida no sentido contrário ao da evolução; portanto, os confrontos que ocorrem em um indivíduo são parte de algo maior, de um ajuste entre grandes correntes antagônicas. A princípio, a consciência humana, externa, ignora esse processo e colabora com tendências retrógradas; quando começa a receber maior influência da alma e a interagir com núcleos internos, nota esse confronto mais amplo e, ao superar provas e embater mais evidentes, sua ligação com a corrente ascendente se fortalece. Pela experiência, o homem aprende que a “vitória” não se deve à sua pessoa e canaliza a veneração ao que habita o profundo do seu ser.
O mito Os Doze Trabalhos de Hércules é instrutivo quanto ao aprendizado e às provas pelas quais o ser humano passa desde que deixa a consciência de massa até atingir níveis transcendentes. Sob essa ótica, está apresentado no livro HORA DE CRESCER INTERIORMENTE (O mito de Hércules hoje), de Trigueirinho. Em CAUTELAS, São João da Cruz (1542-1591) adverte que cada um compreenda ter assumido o caminho espiritual para que todos o instruam. E, assim, diz que, para se livrar das imperfeições e perturbações, convém pensar que todos são encarregados de o exercitar, como o são na realidade: que uns o aperfeiçoarão por palavras, outros por obras, outros por julgá-los mal; convém pensar que a tudo tem de estar sujeito, como a estátua a quem a esculpe. Adverte também que, se não observar essa norma, não conseguirá vencer a própria sensualidade e sentimentos, não saberá conviver em harmonia com os semelhantes, não alcançará a paz, nem se tornará livre de seus males e erros.
Para o gênero humano interagir com vibrações elevadas, próprias do ciclo vindouro da Terra, é necessário alguns indivíduos aceitarem a tarefa de pioneiros. São colocados em provas que não se apresentam aos demais. Superando-as, abrem caminho para todos. “Vossas conquistas passadas nada representam diante do futuro que vos espera. De que valem as pedras que pavimentam o caminho deixado para trás? Servirão, sim, para os que vos seguem, e também por isso é importante avançar. Como o espírito constrói sua senda no invisível, o caminhante dá os passos sobre o vazio. O inédito não pode ser conhecido até o momento de manifestar-se” [trecho de A VOZ DE AMHAJ, de Trigueirinho]
Glossário Esotérico – Trigueirinho